A Associação Espaços do Desenho é uma associação sem fins lucrativos com sede na sala do Espaços do Desenho (rés do chão) na Fábrica Braço de Prata. Esta associação tem como objectivo promover actividades culturais, em particular, práticas investigativas em torno do desenho. A sua programação para o ano de 2009-2010 contempla colaborações entre artistas e investigadores Portugueses e Internacionais; um ciclo de 12 residências artísticas e exposições; um conjunto de tertúlias, conferências e debates; e diversas actividades relacionadas com o tema do desenho.
Os desenhadores desenham-se
Ana Leonor M. Rodrigues, James Faure Walker, Pedro Saraiva
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P2 – duplicado
Participantes convidados e público
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Conversa com os artistas
Com a intervenção de Maria João Gamito
3 – 20 de Fevereiro 2010
3 - 6 de Fevereiro, 10 - 13 de Fevereiro, 17 - 20 de Fevereiro (quarta-feira a sábado), das 20h às 24h
Espaços do desenho, Fábrica Braço de Prata
Os desenhadores desenham-se: projecto de colaboração entre Ana Leonor Madeira Rodrigues, James Faure Walker e Pedro Saraiva, desenvolvido dentro do horário de abertura ao público: os desenhadores observam-se e desenham-se uns aos outros
P2 – duplicado: projecto realizado em colaboração com diversos participantes e membros do público. Os participantes duplicam a tarefa dos artistas, observando e desenhando os artistas e os outros participantes a desenhar através de diferentes tipos de registo – desenho, fotografia, vídeo, telemóvel. O público é convidado a acompanhar estas sessões desenhando através de um dos tipos de registo propostos ou simplesmente observando aqueles que desenham. As actividades dirigidas aos participantes/público serão acompanhadas pelos artistas em colaboração com membros do Espaços do Desenho. Sem necessidade de marcação ou inscrição prévia.
Os resultados de ambos os projectos serão expostos à medida que o trabalho for desenvolvido. Esta evolução poderá ser acompanhada durante as três semanas do projecto, dentro do horário de abertura do espaço ao público.
P2 – duplicado: projecto realizado em colaboração com diversos participantes e membros do público. Os participantes duplicam a tarefa dos artistas, observando e desenhando os artistas e os outros participantes a desenhar através de diferentes tipos de registo – desenho, fotografia, vídeo, telemóvel. O público é convidado a acompanhar estas sessões desenhando através de um dos tipos de registo propostos ou simplesmente observando aqueles que desenham. As actividades dirigidas aos participantes/público serão acompanhadas pelos artistas em colaboração com membros do Espaços do Desenho. Sem necessidade de marcação ou inscrição prévia.
Os resultados de ambos os projectos serão expostos à medida que o trabalho for desenvolvido. Esta evolução poderá ser acompanhada durante as três semanas do projecto, dentro do horário de abertura do espaço ao público.
Os desenhadores desenham-se
Durante 10 dias, três artistas plásticos desenham-se, retratam-se obsessivamente uns aos outros.
Os modos de registo são variados, mas directa ou indirectamente referidos ao desenho.
Aos grupos de estudantes/visitantes é proposto que desenhem os desenhadores, estabelecendo a possibilidade de dois percursos paralelos, o dos desenhadores/modelos e o dos desenhadores estudantes/visitantes.
Além dos métodos tradicionais do desenho, serão ainda utilizados registos/desenhos através da fotografia, transposições, manipulações digitais, registos/desenhos através do vídeo.
Propõe-se que exista uma diferença clara entre os formatos do suporte dos visitantes e dos residentes, de modo a clarificar os dois percursos.
Ana Leonor Madeira Rodrigues
O desenhador é habitualmente alguém que observa e que nessa acção de observar, se ausenta da realidade que está perante os seus olhos.
Embora não seja uma constatação absoluta, é verdadeira em muitas circunstancias, e eu, quando olho e desenho, embora transporte muito de mim nesses desenhos raramente sou objecto da minha observação.
Neste projecto eu e dois amigos, Pedro Saraiva e James Faure-Walker, decidimos fazer coincidir numa acção o acto de observar e o de ser observado. Assim, durante dez dias obrigamo-nos a desenhar e a ser modelos uns dos outros.
Esta acção remete directamente para a relação entre o desenhador e o modelo, subvertendo o lugar dos dois numa permuta constante em que ninguém é só modelo ou só desenhador.
Tendo consciência que hoje é comum estabelecer os parâmetros de um trabalho artístico através de uma espécie de guião, aquilo que me proponho fazer é, no entanto, colocar-me durante alguns dias diante de uma resma de papel com um lápis na mão e duas pessoas de quem eu gosto a desenhar e que desenham comigo; um mergulho de prazer no desenho.
A ideia é desenhar, desenhar, desenhar e quem quiser visitar-nos/acompanhar-nos poderá seguir a mesma ideia e desenhar com a mesma obsessão (e prazer).
James Faure Walker
A minha proposta de intervenção neste projecto é a de observar e desenhar os meus dois colegas tambem observando e desenhando no espaço. Inicialmente desenharei sobre papel com uma caneta normal ou de feltro ou com aguarela. É possível que realize desenhos de larga escala. Tentarei identificar e registar os movimentos mais característicos dos meus colegas, como por exemplo, a repetição/movimentos das posições das mãos, e depois, tentarei incorporar estes desenhos num dos programas digitais com que normalmente trabalho - Painter, Illustrator, Photoshop. A realização e desenvolvimento dos meus desenhos digitais será simultaneamente projectada numa parede. Esta projecção dar-me-à ainda a oportunidade de voltar a transcrever a imagem projectada num papel, fotografando-a, por ex., e reintegrando-a no programa digital, podendo assim voltar a trabalhá-la nesse formato. Este processo poderá ainda passar pelo uso de impressões das imagens que se forem criando. James Faure Walker
Pedro Saraiva
VI(R)VER O ESPAÇO DO DESENHO
Do espaço
Três espaços rectangulares de paredes brancas.
Espaço de encontros, espaço de pensar, de escrever e descrever o rosto, a memória e o corpo em modos diferenciados de registo.
Do tempo
Três semanas, três horas diárias de Fevereiro, tempo de partilhas e experiências de três actores e diversos espectadores.
Do físico
A parede, o chão, a mesa, o branco, o banco, o papel, a caneta, o lápis, o pincel, a tinta, o pano, o computador, a máquina fotográfica, a impressora, a mão, o corpo…
… e com estes elementos decorre e percorre o projecto.
Ana Leonor M. Madeira Rodrigues é uma artista e investigadora interessada nos processos cognitivos do acto de desenhar e na sua especificidade como modo de comunicação não verbal.
É licenciada em Artes Plásticas. Durante um semestre, frequentou as aulas práticas de Anatomia, no hospital do Campo Santana (que resultaram na sua primeira exposição de desenho). Em 1984/85, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian frequentou a Akademie der Bildenden Kunst, em Munique. Entre 1989 e 1992 viveu em Berlim, onde realizou uma especialização em Estudos Culturais e Técnicas de Comunicação Estética e Artística, na Hochschule der Kunst TU (1996). Tem em um doutoramento em Arquitectura (Comunicação Visual) e trabalha como Professora Associada na FA-UTL.
Publicou os seguintes livros O Desenho, Ordem do Pensamento Arquitectónico, Editora Estampa, Lisboa, 2000; O Desenho, Editora Quimera, Lisboa, 2003; Queimado Por Azul, Editora Assírio e Alvim, Lisboa, 2006 e Ensaios nas Margens do Futuro, Sentidos e Significações, uma colectânea da Editora Estampa, Lisboa, 2007.
Algumas das suas exposições individuais mais significantes foram: Desenhos, na Casa da Cerca, em Almada (1998); Der BBB Effect (vídeo e instalação), na Galeria Fruchtig, em Frankfurt (1998); The BBB Effect, uma performance e participação na conferência Real Culture, Reproduction(s)and Rip-Offs, Kansas State University, USA; The BBB effect, more theories on a Pseudo Science, performance e participação na conferência para o Festival Postmodern Piracy, Ohio – Kent State University; Entropia, uma instalação no antigo laboratório de química da Escola Politécnica – Museu de Ciência, em Lisboa (1999); Ai Flores do Verde Pinho, Museu e Jardim Botânico de Lisboa (2001); O efeito BBB Revisitado (desenhos e vídeo), Galeria Diferença, em Lisboa (2002); Documentos Sobre um Caso Tipo, Galeria Assírio & Alvim, em Lisboa (2004); Perder-se de amores…, na Galeria Monumental, em Lisboa (2005); Actos Compulsivos da Comunicação entre Bactérias e Humanos, na Biblioteca da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova (2009); Quando uma cozinha sonha II, Pintura, galeria Victor Pinto da Fonseca (2009).
Participou em várias exposições colectivas como Not to…, em Lisboa (1999); O Efeito BBB, emLisboa (2000); Passos 2000, com a instalação e vídeo Sweet Sixteen, em Lisboa (2002); Freemanifesta, distribuição de 700 auto-colantes alusivos ao “efeito BBB”, em Frankfurt (2002); Drawing, - The Process, Kingston University, UK (2003); 10 anos de Desenho (2003) e O Desenho Dito,(2008) ambas na Casa da Cerca, em Almada.
Em 1999, participou num projecto de pintura no muro de Berlim, organizado pela “East Side Gallery”, restaurado este ano, em Junho de 2009.
James Faure Walker (St Martins School of Art 1966-70, Royal College of Art 1970-72). Desde 1998 que incorpora artes gráficas/digitais nas suas pinturas. Algumas exposições individuais: Galerie Wolf Lieser (2003); Galerie der Gegenwart, Wiesbaden (2000, 2001); Colville Place Gallery, London (1998, 2000); the Whitworth, Manchester (1985). Algumas exposições colectivas: ‘Imaging by Numbers’, Block Museum, Illinois (2008); Siggraph, USA (eight times 1995 -2007); John Moores, Liverpool (1982, 2002); DAM Gallery, Berlin (2003, 2005, 2009), Bloomberg Space (2005); Digital Salon, New York (2001); Serpentine Summer Show (1982); Hayward Annual, London (1979). Em 1998 foi vencedor do prémio ‘Golden Plotter’ atribuído pela Computerkunst, Gladbeck. Onze dos seus trabalhos fazem parte da colecção do Victoria & Albert Museum e encontram-se regularmente em exibição. Em 1976 foi co-fundador da revista Artscribe onde trabalhou como editor durante oito anos. Tem vários trabalhos publicados, tendo contribuído com textos para as revistas Studio International, Modern Painters, Mute, Computer Generated Imaging, Wired, Garageland; e catálogos da Tate, Barbican, Computerkunst, Siggraph. O seu livro ‘Painting the Digital River: How an Artist Learned to Love the Computer’, Prentice Hall (USA) 2006, foi vencedor do prémio New England Book Show. É docente Reader na cadeira ‘Painting and the Computer’ na Camberwell, University of the Arts, Reino Unido.
Pedro Saraiva Professor Associado c/agregação na FBAUL (Desenho) e Professor Associado convidado no departamento de Arquitectura do ISCTE (Desenho).
O seu trabalho tem-se desenvolvido sobre métodos de investigação e concepção implícitos no desenho como projecto.
Tem participado em diversos projectos de investigação na área do Património do Desenho.
Tem participado em diversas exposições das quais se destacam:
Individuais: Ibéria - SNBA (1986), Pintor Cego/Blind Painter – Módulo (2006), Gabinete > Codina – Módulo (2008), Gabinete > Cambedo – Voyeurprojectview (2008), Gabinete > Bárcea – Casa da Cerca (2009)
Colectivas: moderne portugiesische grafik - Galerie Felizitas Mentel (1978), zeitgenoisische grafik aus Portugal - Mannheimer Abendakademie, Mannheime (1979),zeitgenosische portuesische grafik - Collini-Center/Gal. Bernhard Weber (1980), II trienal internacional de desenho - Nuremberg (1982), arco 87 (Módulo) Madrid (1987), art 18/87, (Módulo) Basileia (1987), art la 88, (Módulo) Los Angeles (1988), 10ª exposição int. de desenho - Catania, (1995), Come as you is – Galeria Monumental (1999), Feira Arte Contemporânea (2001/02/03/04/06/07), XXX – Módulo (2005), Coleccionar I – Módulo (2009).
13 DE FEVEREIRO (SÁBADO), 21H, ESPAÇOS DO DESENHO
Apresentação do Projecto:
Maria João Gamito em conversa com os artistas
Inauguração do Projecto
Os Desenhadores desenham-se: operação para uma escolha de alvos na Fábrica do Braço de Prata, Maria João Gamito
Três desenhadores à procura de um alvo, de vários alvos, de muitos alvos. Ou, porque nada procuram, limitarem-se a tomar por alvo aqueles que por alvo os elegerem. A figura será a linha ou o triângulo, desmultiplicada nas sobreposições decorrentes da provável deslocação das três coordenadas que, em cada momento, assinalam a posição dos desenhadores. Aos três desenhadores juntar-se-ão outros que, na espécie de mise-en-abîme que caracteriza os vídeojogos, elegerão os seus próprios alvos ou, porque nada elegem, limitar-se-ão a tomar por alvo aqueles que por alvo os procurarem. Contaminando a prática expandida do Desenho com as metáforas bélicas da fotografia, o conceito é o da fixação de um território que conta com a permanente reconfiguração do seu mapa, numa longínqua evocação do espírito do lugar: a fábrica e o nome que lhe está associado.
Maria João Gamito
Professora Associada com Agregação da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Professora Associada Convidada do Departamento de Arquitectura do ISCTE e Membro Correspondente da Academia Nacional de Belas-Artes. Actualmente é coordenadora da licenciatura de Arte Multimédia da FBAUL e coordenadora da área científica de Desenho do curso de Arquitectura do ISCTE. Inscreve a sua actividade de investigação nas áreas científicas da Cultura Visual, da Teoria da Imagem e do Desenho.
Espaços do Desenho, Fábrica Braço de Prata
Rua da Fábrica do Material de Guerra, nº1, 1950 – 128, Lisboa
Junto ao rio, perto da rotunda com a escultura de José de Guimarães ao centro, antes da entrada na Expo)
Autocarro: 28; Estação de comboio: Braço de Prata (acessos: Entrecampos, Roma, Sta. Apolónia).
Horário de abertura ao público - exclusivamente durante o mês de Fevereiro
Quarta-feira – Sábado, das 20h às 24h
Website: www.drawingspaces.weebly.com Email: drawingspaces@googlemail.com
Para mais informações sobre a programação da Fábrica Braço de Prata, consulte: www.bracodeprata.com
Apoios, Parcerias
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